A garota e a moto

Por Grasielle Paes Bugalho


Minha paixão por duas rodas vem desde criança. Começou com uma monareta, que eu usava para acompanhar meu primo de BMX nas pistas de cross. Lembro que, assim como muitas adolescentes nos anos 1990, desejava ter uma mobilete. Desejo esse que não passou de sonho. Mesmo assim, meus olhos sempre brilharam quando via a moto esportiva do meu primo mais velho, uma CBR 450, e eu não descansei até que consegui dar uma voltinha nela.


Aos 18 anos, ingressei na Polícia Militar. E com meu primeiro salário de Cadete dei entrada em uma Honda Sahara,

“era linda, tinha aros roxos e manoplas cromadas. Um show! Aquele sonho, que começou na mobilete, se tornara realidade”.

Acontece que, por falta de maturidade e treinamento adequado, dois acidentes cruzaram meu caminho. Esses eventos, deixaram marcas no corpo, mas principalmente em meu emocional. Fui aos poucos, abandonando o sonho de motociclismo.


A vida seguiu.


Pilotar ainda era parte da minha vida. Então, era nas motos da PM, que matava minha vontade. Mas o destino tem dessas coisas, em 2013, uma grande passo na minha carreira veio a mudar minha relação com o motociclismo, mais uma vez.


Assumi o Comando do Batalhão de Trânsito Urbano e Rodoviário da Capital, em Cuiabá, Mato Grosso (MT). Minha missão era comandar os Batedores e as Escoltas da Copa do Mundo FIFA 2014, na cidade de Cuiabá, MT. Para nos prepararmos, eu não só instrumentalizei a realização do Curso de Operador de Escolta ou Batedores, como também tomei parte dele.

“O aprendizado fez renascer toda a emoção de subir em uma moto”.

Nossa participação - minha e de minha tropa - na Copa do Mundo foi grande motivo de orgulho e reconhecimento pela organização do evento e pela Segurança Pública.


E mais uma vez, a vida seguiu


Foi durante um passeio de família pelos Estados Unidos, que novamente algo mudaria. Estávamos em Orlando, na Flórida, e, coincidentemente, acontecia naquela semana a “Bike Week 2014”. Me lembro que o evento virou motivo de confusão entre a gente, porque acabei mudando nossa programação de viagem, pra conseguir tempo de ir apreciar os "Harlões" com o marido e os filhos.


Logo em seguida, a "Rota 65", uma concessionária Harley-Davidson, abriu sua portas em Cuiabá. E pra mim, aquilo foi quase que um desaforo:

"...uma concessionária Harley Davidson a menos de 600 metros de casa".

Durante meses, eu ia passear por lá, e ficava "namorando" as motos. Entrevistava os vendedores, fazia pesquisa na internet, coisa de pessoa incutida.


Até que...

Em um sábado falei para meu esposo:

“Vamos lá comprar uma Harley-Davidson pra mim”.

Qual não foi minha surpresa quando ele respondeu: “então vamos ter que comprar duas”.


Meu marido, viu que não dava mais para concorrer com meu amor por duas rodas. E foi assim, que iniciamos uma vida de casal em quatro rodas (duas pra cada, lógico). Começamos com uma Dyna Fat Bob e uma Fat Bob. E logo, passamos para a lendária Ultra Limited.




Ladies of Harley


Aos poucos, fui percebendo que que muitas pessoas pensam e agem como se o motociclismo fosse um espaço de “meninos”. Mas não é assim. Conheci mulheres incriíveis que pilotam, e me uni a elas. Sempre incentivamos a participação feminina na condução das máquinas. Junto ao grupo, participou no HOG como Ladies of Harley e depois como Road Captain.


Para incentivar mais mulheres a pilotar máquinas pesadas, eu e mais algumas amigas também criamos as Ladiesbikers, um exemplo de sororidade promovendo encontros e treinamentos. Uma apoiando e incentivando a outra a melhorar a cada dia. E depois vieram as Ladies of the Road, outro grupo de mulheres que fazem das duas rodas um ambiente feliz, de companheirismo e amizade.


Novas aventuras


Minha nova aventura vem sendo a moto habilidade. Tenho curtido muito este ambiente e a convivência com outras praticantes do esporte e as coaches.




“cada encontro, cada treino é uma imersão em alegria e grande aprendizado. Isto salva vidas".

Essa é a minha história. Aquela garota de monareta, segue sua vida, com o esposo, filhos e amigos.

“já nos divertimos muito, rodamos, nos confraternizamos, mas queremos mais, e mais quilômetros com segurança, pois sair de casa para uma viagem de moto é show, voltar é sensacional".

Que venham muitos kms abençoados por Deus.




Live your legend.

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