Três leituras para refletir sobre a trajetória e a luta feminina

via Assessoria XCom UNIPÊ


Mirella Braga, professora dos cursos de Direito e Serviço Social do UNIPÊ, apresenta três obras para ler e apreciar no Mês da Mulher


João Pessoa, março de 2021 – Embora o Dia da Mulher seja comemorado mundialmente no dia 8 de março, o mês ainda é guardado como um tempo dedicado à reflexão sobre as lutas históricas femininas a favor de conquistas de direitos, sobretudo as trabalhistas, mas também pela igualdade de gênero e contra a discriminação.


Por essa razão, a professora Mirella Braga, docente nos cursos de Direito e Serviço Social do Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ), fez uma seleção de histórias sobre mulheres de diferentes universos, com estilos e gêneros textuais variados.


“Ao longo dos anos, o meio literário tem revelado inúmeras autoras no Brasil e no mundo. Para incrementar a lista de obras para ler e conhecer não só neste mês de março, mas no ano inteiro, selecionei três obras de diferentes autoras já consagradas, que contam histórias grandiosas e com aprendizados valiosos, que valem ser apreciados”, explica professora Mirella Braga.

Confira as dicas




2. Quarto do despejo:


“Carolina de Jesus nos ajuda a ser uma mulher de olhar coletivo, da luta social!”.


O primeiro livro indicado (Quarto de despejo) é de uma mineira forte, Carolina Maria de Jesus. Traz, segundo Mirella, narrativas fortes sobre expressões da questão social brasileira, falando da fome, da negação do direito à cidade, da ausência de condições sanitárias nas favelas brasileiras, da violência desenfreada, de corpos frágeis e da invisibilidade que atinge muitos brasileiros e muitas brasileiras.


“Carolina nos apresenta um Brasil de ontem e de hoje, que não aprendeu a tratar seus filhos e suas filhas com cidadania e equidade. É uma bela etnografia com escritos importantes para fazer com que a nossa sociedade preste atenção em problemas e para que possamos cobrar dos gestores públicos soluções nas transformações dos conflitos sociais existentes em nosso país”, discorre a docente.



2. Para educar crianças feministas:


“Chimamanda Adichie nos ajuda a ser uma mulher multifacetada!”.


O segundo livro indicado (Para educar crianças feministas) é da nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, que fala sobre o poder feminino por meio da herança de uma educação doméstica empoderada e libertária. A professora conta que Adichie apresenta a quebra de estereótipos impostos pelo senso comum e que por vezes recaem no exercício do poder patriarcal diluído nas sociedades sobre as mulheres.


“É a partir do rompimento com esses padrões autoritários que a autora apresenta o que é preciso ser feito para que meninas possam escolher e decidir sobre suas vidas e para que os meninos cresçam livres de todos os tipos de masculinidades tóxicas, sendo consequentemente não opressores. Por fim, Adichie nos fala do amor coletivo, da fala sem medo e da sororidade que aguça conquistas não apenas para nós mulheres, mas para toda sociedade”, diz Mirella.




3. “Uma autobiografia”:


“Angela Davis nos ajuda a compreender o ativismo político, a ser uma mulher da política do coletivo, da diversidade, da construção do feminino no olhar plural”.


O terceiro livro indicado (Uma autobiografia) é da filósofa norte-americana Angela Davis. A obra narra a trajetória de Davis, da infância e da inserção no ativismo político à carreira como professora universitária. O livro detalha os altos e baixos de sua vida, caracterizando com a sua memória a participação da autora enquanto ativista na década de 1970 junto ao movimento negro norte-americano – Black Power –, bem como o movimento dos Panteras Negras – os Black Panthers –, que a colocaria como grande representante do movimento negro e feminista, mas que a “enquadrava” como subversiva, sendo uma das dez pessoas mais procuradas pelo FBI.


“Encarcerada, denunciava as condições do sistema prisional, ao tempo em que fundamentava sua defesa, considerada como uma das mais importantes do sistema norte-americano. É inocentada. Os fatos a levaram a ter como bandeira de luta a campanha abolicionista contra o encarceramento em massa da população negra nos Estados Unidos e o fim da opressão feminina”, finaliza a professora Mirella.