Pilotando a minha vida, sempre


Bem, não tenho uma super história de viagem de moto pra contar, mas tenho uma vida com alguns episódios marcados pelo motociclismo. Me chamo Larissa e hoje venho compartilhar um pouco da minha história com vocês.


Meu pai era um "DJ" das antigas, amante do rock'n'roll e das motos, porém, nunca se arriscou nem a tirar carteira. Mas, a lembrança mais marcante da minha infância com ele era estar andando pela Victor Ferreira, cheia de árvores lindas nas laterais, no som do carro tocava Born to be Wild, e do nosso lado parou uma Harley, chopperzona, dessas que tinha cordões de couro no manete e o piloto usava aqueles capacetes "de pinico", como meu pai falava hahaha


E lembro dele indo do lado, e misturando olhares entre a rua e a moto, e falava "Olha filha, que massa" e eu "vai pai, vai do lado dele" rsrsrs. Minhas irmãs no carro ficavam com uma cara do tipo ãhn?? e eu maravilhada com aquele ronco da moto, a música, enfim... que energia.


Passaram os anos, eu nunca nem pensei em ter uma moto até que um dia descobri a intruder. Para mim era uma mini chopper, acessível, tinha um namorado que tinha uma, pronto a vontade só aumentava. Andava na garupa direto, ele era da mesma altura que eu, ou seja, eu conseguiria pilotar uma. Investiguei custos de compra, de manutenção, rendimento, pois afinal eu era uma secretária, na época.

Pedi ao meu chefe dinheiro emprestado pra não precisar financiar a moto. Ele negou. Mas decidi que não financiaria. Pedi então pra trabalhar em dois turnos, o que significaria trabalhar de segunda a sexta das 8h30 às 18h e dobrar aos finais de semana, sexta-feira eu chegava em casa 18h30, dormia até 21h e voltava pro trabalho das 22h às 4h. Sábado entrava 15h e ia até as 4h. Domingo ia das 15h às 22h. Fiz isso por quase um ano, sem folga, sem descanso. Abri mão da vida social pra ter minha primeira moto, para realizar meu sonho.


Chegou o dia, comprei uma Intruder zero em 2009, por 5mil reais, com 24 anos. Faziam 2 anos que eu havia tirado carteira, e nunca mais tinha subido na moto. O vendedor me deu os detalhes dela, como por exemplo, virar a chave do combustível, que eu nem sabia q existia.

Fui buscar a moto num sábado de manhã, garoando, no meio da Visconde de Guarapuava. Mal sabia pilotar, já saí no centro e na chuva. E tinha que abastecer, porque não veio tanque cheio.

Foi um sábado emocionante, nunca suei tanto nas mãos quanto naquele trajeto. Me senti muito adulta e orgulhosa por ter comprado meu primeiro bem à vista com meu trabalho.

A partir dali, fui ganhando um empoderamento interno e inconsciente, sou foda, sou uma mulher que pilota, trabalhei pra comprar à vista, sozinha, uau! Caí apenas uma vez numa curva com óleo na garoa, que me rendeu um trauma de curvas pra direita por um tempo.Mas logo superei, pois minha vontade de andar de moto era maior que tudo.


Pois bem, no meio disso, mais um sonho, decidi que iria comprar uma casa antes dos 30. Foi então que voltei ao trabalho nas madrugadas. Trabalhei por dois anos para juntar a grana da entrada, o que era bem difícil, pois eu pagava um aluguel que não era barato.

Comprei a casa em 2015. Em 2016, depois de muito trabalho, desgaste físico e emocional após um relacionamento abusivo, descobri um câncer de mama, aos 30 anos.

Era daqueles feiosos rsrs fiz uma quadrantectomia, 16 quimios e 35 radios em quase 10 meses de tratamento.


Mas decidi que não me afastaria do trabalho, então, outro problema, 90 dias sem pilotar, pois além da cirurgia nas mamas, fiz um esvaziamento axilar, ou seja, sem linfonodos meu braço esquerdo teve alguns probleminhas, que me levaram a incontáveis sessões de fisioterapia pra conseguir voltar a levantar o braço. Pentear o cabelo, por exemplo, era muito difícil, além da fisico foram muitas drenagens também.


No meio desse tratamento, a Intruder, tadinha, velhiiiinha, tava dando sinais de desgaste, e eu havia sacado o dinheiro do fgts pra pagar a cirurgia plástica (pq não quis arriscar a ficar sem mamilos ou com uma cicatriz absurdamente irregular da cirurgia, então paguei uma plástica do bolso). E então, surgiu uma Fazer 250! Maravilhosa, preta, grande, linda, e eu?! Eu tinha o dinheiro :)

Eu fazia muay thai e pilotava moto todos os dias, as duas coisas que estava proibida de fazer, o que me deixava muito frustrada. Até que falei para minha médica, doutora Jerusa maravilhosa, que não tava dando mais, além, de já ter começado a engordar por conta dos corticóides da quimio, da menopausa química que inibe os hormônios por injeção, e sem fazer exercícios, ainda dependia de carona pra tudo (porque haja uber, né?! Ônibus não dava pra pegar também, porque pode ter freadas, eu estaria em pé, enfim, era arriscado e proibido) pedi à medica se dava pra voltar a pilotar e a voltar pro muay thai, de forma mais leve!

Ela, fantástica, cansada de me ver chorar no consultório, só disse "Vai adiantar eu dizer não?" e me liberou, com 60 dias, para pilotar e voltar pro muay thai. Era um novo aprendizado, aprender a depender dos outros, aprender a entender que nada na vida era como antes, mas que sim, eu continuava sendo foda.

Até hoje volta e meia alguém comenta algo sobre se espantar ao me ver chegar de moto na academia, careca, e indo pro muay thai.

Olhando pra trás consigo enxergar que pilotei minha vida muitas vezes e outras tantas fui na garupa de Deus, porque não foi fácil.

Às vezes a vida pede uma pausa, como agora com a pandemia que o mundo passa, mas Deus sabe de todas as coisas, e tudo nessa vida tem uma razão de ser.

Certamente hoje não tenho mais medo de trocar de moto, subir cilindradas, ou descer se for preciso e, graças ao Elas Pilotam, sinto crescer aqui uma vontade que nunca passou pela minha cabeça também, a de pegar a estrada com a moto. E, depois de tudo que passei, hoje tenho cinco amigas que viraram motociclistas. E assim seguimos, pilotando nossas vidas :)


Obrigada pela oportunidade de contar a minha história, que ela possa ajudar alguém a se inspirar. Beijos, Lari.


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