O impossível é só questão de opinião.

Atualizado: Abr 7



Interessante que a palavra superação seja sinônimo de ultrapassagem, sugestivo eu diria.


Começo aqui mais uma ultrapassagem, ou superação, como queiram chamar, só que desta vez a estrada que me leva é a escrita.


Não é fácil admitir, mas o frio na barriga e o pânico acabaram de passar por aqui, como uma rápida chuva de verão.


Tudo bem, sou uma motociclista prevenida, levo sempre comigo uma "linda" capa de chuva.


Parei, coloquei a capa e sai sem destino. E agora? só me resta engatar a sexta, esticar as pernas, curvar as costas, olhar para o horizonte e acelerar...


Lá vamos nós para mais uma aventura.





Olá você que me lê.


Me chamo Milaine, nas redes sociais conhecida como @hd_switchback.

Administradora, empresária, otimista, ou apenas uma mulher apaixonada por motos.

Tenho 42 anos, 2 filhos, sou casada a 23, e adoro ser exceção.



Essa história começa como tantas outras, mas já adianto que ela está repleta de curvas sinuosas, alguns buracos na via, muita fé e gratidão.




Era uma vez uma menininha que na garupa do seu pai aprendia a confiar, segurar firme, e passar longe de um escapamento quente.


Entre um cuidado e outro, o receio do desconhecido, e algumas boas risadas, ela foi apresentada há alguém muito especial, o vento. Que como num passe de mágica a conquistou,

levando pra longe o medo e trazendo pra perto todas as emoções do caminho.



Nascia aí uma sonhadora..


Foi assim que aos 14 anos ela aprendeu a pilotar uma CG125, sozinha e sem autorização.

Ter pego “emprestado” sorrateiramente a moto do pai hoje lhe rende boas risadas,

mas já houve uma época que não era bem assim.

Os anos passaram, a menina cresceu, a vida foi acontecendo, e assim como tantas outras sonhadoras ela teve seu sonho adormecido. Foi preciso esquecer a paixão, e seguir em frente,

pois a vida adulta é prática, urgente, e não é para amadores.



Mas como tudo tem um porquê, sua hora, e sua razão, eis que prestes a completar 39 anos, através do homem que ela havia escolhido para dividir sua vida, ela se vê diante de um velho conhecido, o vento. Lá estava ele, de braços abertos, esperando aquela menina.


Foram muitos encontros, tantas emoções ao lado daquele querido amigo, que por vezes era implacável no inverno, mas sempre gentil no verão.


Assim ela seguia compartilhando do companheirismo que só a vida em duas rodas permite, com chuva, frio, fome, medo, inúmeros e incontáveis obstáculos do caminho.


Ela estava feliz. Mas sempre lhe faltava algo.





Nesse momento é preciso dar uma pausa, respirar e pensar...


O que faz esta história diferente de todas as outras em que uma menina se transforma em mulher,

e uma garupa em pilota? Dois personagens, que mudaram o rumo de tudo.


Estamos em 2016, e o mundo evoluiu. As mulheres conquistaram muito mais espaço do que jamais pensaram ter, e mesmo assim, imaginar-se ocupando um lugar até ontem exclusivamente masculino, pilotar uma moto, enfrentar os perigos do trânsito, o julgamento dos coletes de plantão, assim como os olhares inquisidores de muitos, talvez tudo isso fosse demais até mesmo para uma sonhadora como ela.


A vontade e o medo se misturavam, e acreditar que era possível conquistar um espaço somente seu, talvez fosse muita pretensão, afinal, além de mulher, ela já não era mais tão jovem, tinha filhos, obrigações, 1,61 de altura e muitas limitações.


Era muito mais fácil desistir, a garupa não era tão ruim assim.




O primeiro personagem que torna esta história um pouco diferente das outras era uma voz amiga que dizia:

“Por que não você? Aonde está escrito que você não pode? Você pode e deve!”.


Estas palavras partiam de uma jovem inspiradora, incansável e sonhadora, que tinha na fé seu maior alicerce.


Foi nesse momento da vida que ela acreditou, e começou a sonhar novamente.







Sem olhar para os lados ela seguiu em frente como quem não sabe que caminho pegar,

mas que tem certeza de onde quer chegar.



Como uma fiel sonhadora, claro que seu sonho já estava muito bem definido, ele tinha nome e

sobrenome, cor, tipo e tudo mais, deveria ser grande, pesado e barulhento, ou seja, seu sonho

chamava-se Harley Davidson.


Mas como se não bastasse o medo e a insegurança, surge aqui o obstáculo mais real e prático:

Dinheiro.

Oi? Como assim? Como ela não pensou nisso antes?

Pois é ! E que graça teria se começássemos a sonhar fazendo cálculo, não é mesmo!?





Foi quando resolveu fazer uma reunião em família. Uma cena épica acreditem: uma mãe sentada à mesa tomando uma xícara de café tentava convencer os filhos e o marido de como comprar uma Harley mudaria a sua vida.


É, ela os convenceu, mas eles ainda tinham um problema: como realizar aquele sonho sem comprometer a renda da família?


E lá estava ela mais uma vez, desiludida.




Foi quando ela resolveu conversar com Deus, o personagem mais importante de toda essa caminhada. Ela chorou, questionou, até brigou com Ele, e por vezes indignada ela dizia :

Porque me permitiu sonhar algo impossível? Porque me fez acreditar que eu era capaz e agora tira o meu chão? Por quê?


Foi olhando para o céu que ela teve a sua resposta.


Ele dizia em sua mente: para realizar o seu sonho você precisa antes se libertar de tudo que um dia pensou ser fundamental para sua felicidade, mas que na verdade são apenas

imposições de uma sociedade consumista e sem conteúdo.


Vale aqui dividir com vocês, que assim como a maioria esmagadora das pessoas a mercê deste capitalismo selvagem, essa sonhadora viveu por anos refém do consumo, na busca desenfreada da compensação de suas frustrações. É, acreditem, para cada pessoa que consome com consciência existem centenas de outras que compram "coisas" e as descartam sem nunca chegar à usar.



Foi então que surgiu a grande ideia, um comércio online de roupas second hand, hoje

chamado de Frederica Brechó Boutique, que nascia para a realização daquele sonho, e que mais tarde teria o apoio de dezenas de outras mulheres, que assim como ela procuravam mudar suas vidas através do desapego e do consumo sustentável.





Algum tempo depois, já livre de todo peso e apego carregado por mais de 2 décadas, e contando com a ajuda daquelas mulheres, aquela menina sonhadora conseguia comprar a sua primeira Harley Davidson.


Ramona era o nome dela, e agora sua melhor amiga. Era uma CB1200, com quem ela dividiu a estrada da vida por deliciosos 15.000km, e juntas elas cresceram a cada curva do caminho, se conhecendo e se completando, até nas horas mais difíceis.


*Essa foto ai foi do primeiro rolê, 30km de muito frio na barriga e sorriso no rosto, para as duas, vale lembrar Rsrs.





E desde então quem um dia à conheceu já não a reconhecia mais, pois ela havia mudado,

de dentro para fora, sem pedir permissão a ninguém.





Eu me superei, ultrapassei, transbordei .



E sabe, não foi só isso, a resposta de Deus para o meu sonho me permitiu me encontrar, Ele me presenteou com uma nova vida cheia de significado, sem o peso das aparências e do julgamento alheio, hoje sou eu, por inteira.












A mulher que me tornei é a soma de vários fatores, algumas pessoas, e muitas outras histórias, mas posso afirmar com convicção, que a minha liberdade me foi dada no exato momento em que eu decidi acreditar em mim, quando eu arregacei as mangas e pulei o muro alto da minha zona de conforto.





Ter o apoio de pessoas do bem, queridos amigos e amigas de estrada, assim como ser incentivada por meu marido foi essencial. Eles sempre acreditaram em mim, mais do que eu mesma, isso tem que ser dito, afinal eu escolhi um dos mundos mais machistas para desbravar, e estar sozinha tornaria tudo mais difícil.


A eles deixo aqui à minha eterna gratidão.









Esta é a minha história no mundo duas rodas, na verdade é apenas o início dela. Depois disso, houveram tantos outros capítulos, tantas outras ultrapassagens, amizades incríveis eu ganhei, levei alguns sustos também(risos), vivi tantas alegrias, e sorrir foi consequência do aprendizado diário.

Mas essa já é uma outra história.. Rsrs


Sabe, em todas estas aventuras, e mesmo com todo o apoio que tive, me permitir tirar os pés do chão, engatar a primeira (que enrosca sempre Rsrsr), acelerar mesmo com medo, e seguir em frente, foi e sempre será uma decisão minha, e de mais ninguém.




Por isso eu digo e repito pra quem quiser ouvir: - Eu consegui, e você vai conseguir também.


Vem com a gente viver a sua liberdade!


Nós somos o movimento #elaspilotam,

e estamos aqui para apoiar você.





Créditos Fotos:

Turco -Flavia Fadel-

Hog The One Curitiba Chapter.

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