Foram 3 motos até que eu consegui

Por Jessiane Moreira


Meu nome é Jessiane Moreira, tenho 42 anos, sou casada, mãe do Miguel (9anos), e moro em Santa Luzia, MG.

Eu tirei minha habilitação de carro em 2002, quando ainda estava na faculdade. Tinha vontade de pilotar motos, mas não levei o sonho adiante. Até que, em 2012,

quando tive meu bebê, aproveitei a licença-gestação para tirar minha carteira de moto e consegui.


Porém, por ter uma criança pequena, nunca me arrisquei a pilotar. A mãe precisa carregar a cria: como fazer isso de moto? E assim, fui levando, dirigindo apenas o carro, enquanto meu marido pilotava a moto para se deslocar para o trabalho.


Um belo dia, tentei pilotar e comprei uma moto Honda 150cc nova. No primeiro dia, já saí pilotando e carreguei uma amiga na garupa:


uau! Que delícia!

Porém, meu marido logo foi me alertando para os perigos de uma moto e que eu não deveria pilotar, pois ele ficava com medo do que pudesse acontecer comigo no deslocamento entre casa e trabalho, na capital Belo Horizonte.

Desse dia em diante, um medo invadiu meu coração. Vendi a moto e aposentei o desejo de pilotar.

Em 2016.


Eu mudei de local de trabalho. Precisava me deslocar rápido em pouco tempo, o que me reacendeu o desejo de pilotar: seria a solução dos meus problemas de mobilidade porque, de carro, era inviável e muito caro. Foi então que, novamente, me arrisquei em comprar outra moto nova. Fui na concessionária Yamaha e comprei o lançamento: uma Nmax 150cc vermelha. Um luxo. Mas, não tive coragem de sair pilotando da loja e meu marido buscou a moto para mim.


Eu andava no bairro, mas não tinha coragem de me aventurar no trânsito. Fiquei um bom tempo tentando pilotar o scooter, mas o medo era maior do que eu. Em poucos meses, vendi e me vi novamente andando na garupa do meu marido, que me levava para o trabalho de carona. Mas, lá no fundo, queria mesmo é andar sozinha por aí, livre, leve e solta.


O desejo cresceu, novamente, no meu peito e eu pensei em comprar outra moto zero km. Porém, o medo de fracassar me fez repensar a ideia: afinal eu já havia comprado duas motos novas das quais me desfiz em poucos meses. Foi, então, que pensei: vou comprar uma moto usada porque, se eu não der conta de pilotar, o meu prejuízo será menor na hora da revenda. Procurei uma moto pequena, leve, barata, com boa rede de manutenção e cujo valor de revenda fosse bom. Encontrei a Honda Lead 110cc.


Assisti a diversos vídeos sobre a moto, desde o lançamento e, então, descobri que ela estava fora de linha. Mas eu havia me apaixonado por ela e não teve jeito, procurei nos sites de revenda e percebi a minha própria história em muitas delas: a pessoa comprou, não se adaptou, encostou num canto e logo depois colocou para revender.



Eu não podia deixar uma fofurinha daquelas parada. Queria um modelo dourado: não achei. Depois fui em busca das cores vibrantes, e logo percebi que o preço das metalizadas era bom e me decidi por um modelo cinza e branco 2013/2013. Foi amor à primeira vista: tão bonitinha, redondinha.. gordinha para os íntimos. Novamente meu marido buscou para mim. Quando ele chegou aqui em casa com ela, eu não contive meu entusiasmo.