O nosso voto é a nossa luta: Esse movimento vai muito além da moto.

Por Ana Lara


Hoje é o último dia de Março, o Mês da Mulher, e muito além das flores e chocolates, precisamos lembrar da nossa luta. Por ser um ano eleitoral, nada melhor do que finalizar esse mês falando da nossa responsabilidade e da nossa história com o direito ao voto.



Durante boa parte da narrativa humana, nós, mulheres, não podíamos participar de eleições, isso desde os antigos gregos e romanos. Foi a partir de 1800 que começamos a luta pelo direito de votar, fazendo petições aos governos e reunindo concidadãos para a causa.


Em 1893, a Nova Zelândia se tornou o primeiro país a permitir voto feminino, depois que quase 25% das mulheres de ascendência europeia do país assinaram petições. Mesmo as de descendência maori ganharam o direito de votar. Sua vizinha, a Austrália, seguiu o exemplo em 1902, no entanto, a emancipação não se estendeu a todas as mulheres australianas. Mulheres e homens aborígenes não puderam votar por mais de 60 anos após o acontecido.


Na Europa e na América do Norte, as mulheres apresentaram petições, fizeram discursos e realizaram comícios. Algumas foram presas e protestaram com greves de fome enquanto estavam na prisão.


Quando a Primeira Guerra Mundial se espalhou pela Europa, muitas organizações femininas que lutavam pelo voto, conhecidas como Sufrágio Feminino, mudaram suas energias para ajudar no esforço de guerra. O papel que as mulheres desempenharam durante esse acontecimento ajudou a influenciar o apoio público à emancipação do voto.


Em 1918, mulheres no Reino Unido, Alemanha, Polônia e Canadá – entre outros países – ganharam o direito de votar. No Canadá, no entanto, mulheres e homens das Primeiras Nações tiveram que esperar mais 40 anos até que tivessem esse direito.





O Equador tornou-se o primeiro país sul-americano a conceder direitos às mulheres, concedendo plenos direitos de voto a todas em 1929. No ano seguinte, a África do Sul começou a emancipar as mulheres, mas apenas as de ascendência europeia. Isso se deveu ao apartheid, a política de segregação e discriminação do governo branco contra a maioria não branca do país. O direito de voto não se estendeu a todos os sul-africanos até 1994.


Em 1947, a Índia e o Paquistão conquistaram a independência da Grã-Bretanha, e ambas as constituições concederam às mulheres o direito de votar. As mulheres chinesas ganharam o direito de voto em 1949, depois que um novo governo assumiu o poder após uma guerra civil.


Durante o final dos anos 1940 e 1950, as mulheres em toda a América Latina ganharam o direito de votar.


No início da década de 1970, ainda havia alguns países europeus que não permitiam que as mulheres votassem. Ao longo da década, Suíça, Portugal, Espanha e Moldávia concederam direitos a mulheres.


Alguns países conservadores do Oriente Médio não autorizaram as mulheres até o século 21. No Bahrein, as mulheres conquistaram o direito de voto em 2002; no Catar, 2003; e no Kuwait, 2005. No final de 2015, as mulheres na Arábia Saudita votaram nas eleições locais pela primeira vez, deixando a Cidade do Vaticano o último país a negar às mulheres o direito de votar por causa de seu gênero.


Uma mídia que pode nos ajudar na ilustração desse contexto todo é o filme chamado "As Sufragistas", de 2015, que se passa no início do século XX, onde as manifestações pacíficas não estavam fazendo o efeito esperado e foi preciso lidar com sacrifícios muito maiores. Sem spoilers, mas recomendamos MUITO! Até a data desse texto, o filme está disponível na Globo Play e na Star +.





Hoje, depois de tantos acontecimentos históricos de luta, prisões, violência e, finalmente, da vitória, nosso dever é usar esse compromisso de mudança do nosso país, por todas as mulheres que foram às ruas, que correram perigo e que se movimentaram por nossos direitos.


Dia 2 de Outubro, vote.


Vamos continuar mudando o mundo.


* Definição de Sufrágio segundo o site Oxford Languages:
1. processo de escolha por votação; eleição.
2. voto em uma eleição.

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