Me reencontrei através do motociclismo

por Claudineia Miranda Dutra


A minha paixão por motos começou na infância, com o seriado Chips, que meu pai costumava assitir; e, mais tarde, quando eu já pilotava, foi uma personagem da Malu Mader, que era motociclista em alguma novela, que me fascinou. Foi meu pai também que me ensinou dirigir, quando eu ainda tinha 11anos. Naquela época, meu tio comprou uma mobilete, e foi ela meu primeiro contato com um veículo de duas rodas. Ficava fascinada. Era só ele aparecer, que a “sobrinha chata” já saia pedindo pra dar uma voltinha.


Minha vontade de pilotar era tanta, que no dia do meu aniversário de 18 anos fiz a matrícula na auto escolar e fui tirar minha carteira. Passei logo na primeira prova de moto, tendo feito apenas duas aulas. E então, “coitados” dos meus amigos que tinham moto: um dia pegava a CB400 do Marcos, outro dia a CG de outro, até que o namorado da minha tia comprou uma NX150, e eu pedia a moto emprestada todos os dias. Meu relacionamento e paixão por motos só crescia e nada me fazia desistir.

Lembro que, em um determinado momento, meu irmão então trocou o fusca dele numa RDZ135, com motor dois tempos. Eu chegava cheirando óleo em todos os lugares que ia.

Vivi por alguns anos em São Paulo, onde cursei a Unifesp. Embora meu foco fosse os estudos, lembro de um concurso em uma radio, no qual o prêmio era uma moto. Fiquei obcecada. Pra concorrer era preciso ouvir a rádio e anotar uma sequência de musicas, depois mandar uma carta para o sorteio. Eu, que estudava em period integral, andava o tempo todo de “Walkman” anotando as músicas.  Escrevi 500 cartas pro sorteio. Mas o ganhador só mandou uma.

Enfim, terminei a faculdade, voltei para minha cidade. A vontade de ter minha moto ainda era grande, mas a vida toma prescedentes. Eu precisava de um carro para começar a trabalhar, então comprei um chevete e continuava usando a moto do meu irmão.

Ai a vida veio atropelando. Em meu meu primeiro ano de formada tive um filho de uma relação sem consentimento. Segui eu e meu menino, mas quando ele já tinha dois anos, cai em outra relação abusiva. Dessas que levam um tempo pra gente perceber. Eu estava com alguem que gostava de mim, do meu filho, que nos tratava bem, e isso bastava.

O tempo passou e todo aquele romantismo mostrou sua verdadeira face. Meu “príncipe encantado” era um cara possessivo, ciumento e ganancioso. Adiei meus sonhos, minhas vontades, até que um dia fugi de casa com meus dois filhos. Fomos os três morar em uma kitnet. Foram dias difíceis, porem felizes. Recomeçamos nossa vida.


Novo começo, sonhos antigos. Neste period finalmente comprei a minha moto. Não precisava mais pedir moto emprestada pra matar a vontade de pilotar.

Nesse turbilhão de vida nova, de liberdade e felicidade, recebi o apoio do meu pastor, e conheci o motoclube Águias de Cristo. Isso foi essencial, ganhei uma família além da minha. Cada passeio, cada motoculto, cada encontro nacional, cada reunião da cidade ou da região, eram motivos de satisfação e conquista. A moto me trouxe de volta a vida. Sentir o vento no rosto e ter minha filha na garupa.


A minha moto não é de grande cilindrada, tem só 250cc, mas eu tenho planos de chegar numa maior um dia. No fundo, o que importa mesmo é que ela me trouxe de volta a vontade de viver.

Antes de terminar, quero contar mais uma coisa. Em Janeiro de 2019, meu filho se casou. A minha nora nunca tinha pensado em moto, achava perigoso. Mas um dia ela só sentou na minha moto, sequer andado na garupa, e já foi pra auto escolar. Hoje ela também tem habilitação e pilota. Ela vai ficar com a minha moto quando eu comprar uma maior. #elaspilotam 

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