Cilindrada importa?

por Amably Monari


Cilindrada importa sim!


O que tem de errado nessa afirmação? Nada. Mas a pergunta que poderíamos fazer seria, importa para quem? Para o que?


Se você é mulher e motociclista, ou é mulher planejando entrar nesse universo, já deve ter ouvido que “devemos” iniciar por uma moto de baixa cilindrada, pequena, de baixo custo. Daí, quando nos sentimos ofendidas e evidenciamos nossa insatisfação a repressão vem como uma bola de canhão em nossa direção. Booom!!!


Ou saímos da frente, disfarçadamente, o que fará com que a bola continue seu percurso em direção a outras, ou nos posicionamos com nossos pés firmes no chão, como fazemos para segurar nosso monte de ferro com as pernas, e enfrentamos. Afinal, somos mulheres. We can do it!


Vivemos em uma sociedade em que a demonstração do amor, das relações humanas como um todo, é permeada pelo PODER: o melhor emprego, a melhor casa, o melhor casamento, o melhor namorado, namorada, namorade, a melhor roupa, a melhor moto, a melhor amiga, a melhor viagem, o melhor motor, o melhor grupo, o melhor discurso, os melhores folowers.... tudo do melhor...


Não tem problema algum o que você considera ser melhor pra ti. A questão está no que de fato é melhor? Já parou para se perguntar o que define o-a melhor?


Nós, é que fazemos a roda girar, nós é que elegemos o que é melhor. Diante deste cenário, passei a me perguntar: Qual a função da moto, motociclismo, grupos, coisas em minha vida?

Eu sei, estou jogando um monte de perguntas sem respostas, e é intencional. Uma provocação. Por que temos que ter respostas para tudo?


O poder está em não ter poder....

Durante esse tempo na estrada, percebi que a função da moto em nossas vidas não está ligada aos cavalos do motor, ou a velocidade da mão que acelera, mas sim ao afeto da mão que se estende no cumprimento ao outro do lado de lá da estrada, às conexões com as pessoas. Na freada no percurso para ajudar motociclista parade sem gasolina, sem ferramentas; está nas dicas que compartilhamos em nossas redes sociais, nos olhares que se encontram ao subir das viseiras, no retirar de uma luva que estende a mão fria que acalenta o coração num cumprimento que transpassa toda parafernália de equipamentos que usamos para nos proteger.


Diante da situação de isolamento pela qual passamos atualmente, as estradas passaram a ser as linhas invisíveis em redes sociais, uma extensão dos encontros de moto.


As motos personificadas em nosso eu mais intimo, nos conectam via uma paixão que compartilhamos: a estrada, o som do escapamento, o vento no peito, a lagrima que rola entre os sorrisos sem motivos. Aquela paradinha "marota" em que nossos olhares de pupilas dilatadas se reconhecem: somos livres.

Agora me diz, a cilindrada importa?

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