Amor e motor: combinação "quase" perfeita

Por Gabi Hoover, Alice Castro, e Bruna Dias


A cada mês mais histórias incríveis chegam pelo nosso e-mail aqui no Portal, com relatos para a página do Diário. São histórias de superação, de coragem, de determinação, de realização de sonhos, de teimosia, de rebeldia, e de busca por individualidade. Mas tem algo que é quase que um fator em comum nessas histórias: aquela UMA pessoa que deu o empurrão que faltava.


Podem falar o que for, mas pra quem está começando, ter a segurança de uma mão ou um conselho amigo na hora do primeiro “acelera” é empoderador. Esse "empurrão" vem de pai, de mãe, de irmãos ou primos, e pra tantas de nós, essa UMA pessoa foi o nosso “par” romântico. Talvez já cansados e cansadas de nos levar na garupa, ou (minha teoria favorita), motivados por nossa entrega na garupa, perceberam que seriamos ainda mais completas e felizes sem que estivessem barrando o vento na nossa frente.

Seja lá qual foi a motivação desses pares, resolvemos investigar mais a fundo essa relação de #casaisqueandamdemoto com o motociclismo, e qual o papel que suas motos ocupam em suas vidas, e em seu relacionamento.


A moto


A psicanalista Anna Burg, que há mais de 20 anos atua em terapia de casais na grande São Paulo, lembra que antes de mais nada a moto é um meio de transporte que vem carregado de simbolismos, e que, entre outras coisas, representa um estilo de vida.


“Uma coisa é a moto, e outra é tudo que ela representa”, explica a profissional.

E, nesse contexto, o motociclismo pode tanto ser positivo como prejudicial ao relacionamento.


“Para um casal, ter interesses em comum - seja moto, música, livros, comida, etc - é saudável, e um ponto de felicidade no relacionamento. Fica mais fácil para o diálogo, para a convivência quando os interesses batem. Mas isso não significa ser positivo o tempo todo. Pode virar um problema quando se torna um vício, por exemplo, ou se esse interesse é a única coisa que liga as duas pessoas”, complementa Anna.

Mari e Ronan


“Para nós a motocicleta significa uma fuga da rotina. Aquele momento em que depois de tanta correria e stress da semana, aguardamos ansiosos para podermos rodar! É o nosso momento! Durante todo o trajeto, vamos conversando sobre diversos assuntos, traçando novos planos e sonhos além de desfrutar da alegria que a liberdade sobre duas rodas nos concede. A paixão é mútua, então nos sentimos como um só, sem distinção entre garupa e piloto, tanto que é muito raro o Ronan rodar sozinho (ele diz que não tem graça). O sonho agora é podermos rodar cada um numa moto!”, conta Mari, que já está se preparando para assumir os comandos.


Diálogo é fundamental


Justamente por tudo que a motocicleta representa, esse é um objeto carregado de fetiche, ao mesmo tempo que iguala os gêneros.

“A pessoa na moto, é uma pessoa na moto. As vezes não conseguimos distinguir se é um homem ou uma mulher”, ressalta a psicanalista.

Segundo ela, o que “dá a liga” para o casal é o quanto um pode surpreender o outro. “É um sinal de maturidade. Você conseguir despertar em alguém algo que nem ele/ela sabia sobre si mesmo”.